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Flávio Augusto, de vendedor de relógios à empresário bilionário

Flávio Augusto é um caso de sucesso no empreendedorismo brasileiro. Nascido e criado na periferia do Rio de Janeiro, hoje faz parte da lista dos bilionários da Forbes.

Flávio Augusto da Silva nasceu no Rio de Janeiro, em 7 de fevereiro de 1972. Ele viveu boa parte de sua infância em um bairro periférico do Rio de Janeiro, mesmo com pouca estrutura financeira, sempre foi um ótimo aluno.

Apesar das ótimas notas, Flávio não era bom em obedecer ordens de seus mestres. Sua história conta que ele foi expulso do jardim de infância por chutar várias vezes a canela de sua professora.

Durante três anos ininterruptos ele dedicou-se a estudar para conseguir uma vaga na Escola da Marinha, mas logo no primeiro anos após o ingresso, foi convidado a se retirar. Flávio não aceitava ordens de seus superiores e frequentemente questionava os ensinamentos militares.

Aprovado em dois vestibulares

Logo após deixar a escola da marinha, Flávio seguiu seus estudos em um colégio normal e ao final do ano letivo foi aprovado em duas excelentes universidades públicas para o curso de Ciências da Computação, uma no Rio de Janeiro e outra em São Paulo.

Nesta época, Flávio conheceu Luciana e eles rapidamente começaram a namorar. Já matriculado na faculdade do Rio de Janeiro, mas com previsão de início das aulas somente para o próximo semestre, ele precisava arranjar uma maneira de se sustentar até lá.

Início da história empreendedora

Flávio Augusto passou a comprar relógios no Paraguai e vendê-los no Brasil para amigos e conhecidos. Seu negócio de revenda passou a ser bastante rentável e uma nova oportunidade surgiu.

Naquela época os vendedores de cursos de inglês não contavam com salário fixo ou benefícios, seus lucros vinham apenas da comissão sobre as vendas realizadas. Mas isso não causou medo em Flávio, pelo contrário, ele via um imenso potencial na empresa e estava disposto a fazer o que fosse necessário pelo seu sucesso.

Ao terminar o curso de vendas, ele já era um vendedor qualificado sem falar sequer uma palavra em inglês.

Sua estratégia inicial era usar o telefone público de um aeroporto para contatar seus clientes, e de quebra ainda contar com os microfones do local indicando partidas e chegadas de voos, dando mais credibilidade e profissionalismo para seu trabalho.

Dentro da estrutura da empresa, Flávio superava suas vendas mês após mês e não demorou muito para que se tornasse gerente e posteriormente diretor de vendas. Ele alcançou um salário de 7 mil dólares no início dos anos 90.

Uma oportunidade de expansão da empresa para um novo país, acabou levando Flávio para Venezuela. Era a sua oportunidade de empreender mesmo não sendo o dono da empresa. Neste momento ele adquiriu grande experiência, mas logo precisou deixar o país devido a ameaças de concorrentes.

Carreira solo

Flávio voltou a atuar no Brasil como diretor de vendas, e o período que passou fora o fez enxergar várias fragilidades e gargalos de dinheiro da empresa. Ele recolheu todas as informações e levou à diretoria, sugerindo melhorias.

As mudanças propostas não foram bem recebidas e Flávio decidiu que era hora de alçar voos maiores, ou seja, abrir sua própria escola de inglês. Ele não tinha o capital suficiente para começar e, apesar de um alto salário na época, ele estava pagando prestações de seu apartamento e da mobília recém comprada.

Ele chegou a contar com um sócio que venderia um Voyage ano 1986 para injetar dinheiro em sua ideia, mas este desistiu. Flávio seguiu com a empreitada e usou o limite de cheque especial seu e de sua esposa Luciana, cerca de 20 mil reais com juros a 12% ao mês.

O que muitos considerariam loucura, foi o que possibilitou que Flávio desse vida a um projeto de aulas de inglês voltado exclusivamente para adultos e focado no mercado de trabalho.

Bastante diferente dos cursos tradicionais que visavam formar professores, a Wise Up tinha a ideia de ensinar o inglês que possibilitaria novas vagas de emprego e salários mais altos.

Aos 23 anos de idade, Flávio alugou uma sala bem localizada no centro comercial do Rio de Janeiro. Quando abriu as portas, já contava com dezenas de alunos matriculados e em um ano a empresa saldou as dívidas e estava pronta para abrir uma nova unidade em São Paulo.

Em menos de cinco anos, a empresa já contava com uma rede de 24 escolas espalhadas pelo país. Após uma certa resistência e convencido por um amigo, Flávio decidiu franquear seu negócio.

A empresa foi administrada por ele durante 18 anos, e em 2013 o Grupo Abril Educação adquiriu a Wise Up por cerca de R$ 877 milhões, nesta época já contando com mais de 400 franquias.

Orlando City Soccer Club

Flávio Augusto tornou-se um dos poucos bilionários do Brasil, mas o que ninguém esperava era que seu novo empreendimento fosse a compra de um time de futebol do Estados Unidos.

Após estudos de mercado, ele viu que a cidade de Orlando recebia muitos turistas o ano todo e o futebol era um dos esportes que mais crescia nos EUA. Ele comprou o Orlando City e passou a integrar a Major League Soccer (MLS), elite do futebol norte-americano. 

Em julho de 2014, o meia brasileiro Kaká foi contratado pelo Orlando City por 3 anos e meio. O jogador acreditou tanto na ideia de Flávio que adquiriu uma quantia de ações do time de futebol.

Recompra da Wise Up

Em dezembro de 2015, recomprou a Wise Up por R$ 398 milhões, cerca de um terço do valor de sua venda anos atrás. A empresa contava com problemas de gestão e qualidade, consequentemente as vendas dos cursos haviam caído drasticamente.

Atualmente, Flávio tem parceria com Carlos Wizard, trabalhando juntos em projetos envolvendo a aquisição de escolas de inglês para serem incorporadas ao grupo Wiser Educação.

Ele segue casado com Luciana e hoje tem três filhos. Flávio nunca concluiu seu curso superior, visto que tornou-se um crítico ferrenho do formato das faculdades brasileiras.

Flávio Augusto e família. / Foto: Reprodução.

Segundo ele, o ensino superior no Brasil não prepara o jovem para o mercado de trabalho, não estimula a ideia de empreender e mantém as profissões em formatos engessados e ultrapassados.

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